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Politiquices: O (Des)Respeito pela Democracia

É fantástico como ontem, às 20h00, com a revelação das primeiras projeções, surgiram os primeiros comentários azedos nas redes sociais e, até, nas declarações dos políticos e comentadores que foram sendo abordados pela comunicação social (que os forçou a emitirem as suas opiniões na hora).

No entanto, muitos foram os comentários que demonstraram o maior desrespeito pela decisão democrática de um Povo. Independentemente de quem ganhasse, numa sociedade democrática (supostamente), todos cidadãos respeitariam a decisão da maioria.

No entanto, em vez de respeito, começaram os insultos à inteligência dos eleitores e as declarações de incredulidade face à decisão de uma maioria (relativa, mas maioria) que passaram a rotular de masoquista.

Mas o desrespeito pela Democracia parece não se ficar apenas pelos comentários e reações. Hoje, já ouvi, por diversas vezes, ser discutida a possibilidade da Esquerda se unir para inviabilizar um Governo (e respetivo programa) da PàF, para, então, proporem uma "alternativa" conjunta!

Eu não concordo com o nosso sistema político - sempre que falo sobre política deixo-o bem claro -, mas é o que está em vigor e tenho de respeitar a opção da maioria.

Sendo assim, como é possível que se coloque a hipótese de PS, BE e CDU se coligarem para inviabilizar o governo que venha a ser proposto pelo partido (neste caso coligação prévia às eleições) que obteve a maioria relativa dos votos. Será que, por exemplo, os que votaram PS, manteriam o seu voto se soubessem que esse partido formaria governo com BE ou CDU?

Se querem colocar a hipótese de uma acentuadíssima dicotomia parlamentar Esquerda/Direita, então façam uma segunda volta nestas legislativas. Aí sim, os eleitores ficam esclarecidos sobre quem verdadeiramente governará o páis e podem optar entre PàF ou PS+BE+CDU. Sugerir um "agrupamento" posterior às eleições, no qual não participe o partido que obteve a "vitória" (quer em termos de percentagens, quer em termos de deputados), é inaceitável e encaro tal situação como o resultado dos jogos de poder e intriga, dos quais os partidos são apologistas, e que condenam o nosso sistema político à falsidade que se testemunha.

Quanto aos resultados atuais, não encontro problema na inexistência de maioria absoluta. Aliás, encontro uma vantagem, para Bem do País, todos os representantes de todos os eleitores são chamados à responsabilidade de serem em conjunto uma opção de governabilidade.

 

Opinadela: A verdade do meu 25 de abril

- «Onde estavas no 25 de abril de 1974?» - poderiam perguntar-me. E sendo necessário responder diria:

Depende da crença de cada um. Estaria no lugar onde as almas se encontram à espera de um corpo, ou no reino das cegonhas à espera da hora da entrega, ou nos gâmetas dos meus progenitores, ou quem sabe em nenhum destes e noutro lugar qualquer. O que é certo é que nasci uma década depois.

E esta é a primeira premissa da minha opinião sobre o 25 de abril de 1974 – não respirava, ainda, o ar terrestre. Nem vivi nos tempos anteriores nem nos tempos imediatos à revolução. A minha família também não se encontrava em Portugal, tendo regressado apenas em 1989.

A segunda premissa vem do ensino – sei apenas aquilo que me ensinaram. É um saber teórico, sem qualquer experiência empírica. Ensinaram-me as maldades do Estado Novo e a luta movida pela esperança dos militares numa nova democracia, numa nova liberdade.

Concluo, portanto, que o 25 de abril de 1974 é, para mim, tão importante como o 5 de outubro de 1143 ou o 17 de Maio de 1498 ou o 22 de abril de 1500. São datas históricas para Portugal, tendo marcado a sua independência, a sua expansão e ascensão mundial e a sua democracia e liberdade. Consequentemente, - para além dos factos históricos – marcam a minha vida, formataram a sociedade na qual me insiro e permitem a afirmação da minha cidadania tal como é. Por esse motivo, são acontecimentos cuja importância deverá estar sempre presente nos espíritos portugueses.

Mas há bandeiras que de tanto se agitarem ficam gastas. A bandeira do 25 de abril que vejo invocada – quase diariamente – já está a ficar velhinha, carcomida mesmo. Se não se acautelarem (ou nos acautelarmos) a Revolução dos Cravos será algo cada vez mais distante, mais difícil de ser identificável pelas gerações (que como eu) não viveram os tempos da revolução.

Lembrem-se que – nós que não vivemos esses tempos – não vivemos o Estado Novo, não sentimos as diferenças que a Liberdade nos trouxe. Conhecemos apenas os valores que moveram os revolucionários e aqueles que se ofereceram para erguer o país numa nova democracia. Ouvimos falar das “coisas ruins” do passado: a pobreza, a censura, a limitação, as influências. Ouvimos falar dos discursos de libertação da democracia, da nova vida para os portugueses, da alegria de se ver retornada ao Povo a decisão sobre as res publicae.

Em nós – que apenas vivemos o tempo atual – cresce a dúvida sobre a tão aclamada revolução de quem todos parecem querer ser pais e defensores e apologistas e saudosistas. É que, hoje, continuamos a não ter plena liberdade, continuamos a ver casos de racismo, xenofobia e exclusão social, continuam a coexistir cidadãos de 1ª e cidadãos de 2ª, continuam os casos de corrupção, continuam os atentados à cidadania, assistimos à censura nos bastidores, vivemos o fosso entre os pobres e os ricos, temos falta de oportunidades e empregos, aderimos ao novo êxodo, duvidamos da legitimidade da autoridade e da eficácia da Justiça. Começamos a perder a nossa identidade como cidadãos de uma Pátria, de um República, de uma Democracia.

Perdoem-me por não ser hipócrita. Perdoem-me – se motivos para perdão houver – por acreditar que, no dia em que os últimos sobreviventes da Revolução desaparecerem, o 25 de abril será apenas mais uma data no calendário. Faça-se de cada dia, o Dia da Liberdade e da Democracia. E assim, talvez, os princípios fundamentais desse 25 de abril sobrevivam pelos séculos dos séculos.

 

 

Politiquices: Falta de confiança nos políticos

Na semana passada, noticiou o Público que «Mais de 70% dos jovens portugueses não confia nos políticos», número resultante do inquérito Geração Erasmus realizado a uma população com idades compreendidas entre os 18 e os 40 anos.

A falta de confiança nos políticos é novidade? Não! Basta atender ao número elevado de abstenções nos atos eleitorais. Mas a percentagem de 70% é surpreendente. Creio que estamos a falar em milhares de cidadãos com o dever (há quem prefira dizer direito) de votar.

Então porque é que a Política em Portugal não muda? Dizem que o futuro é dos jovens, mas, na verdade, a velha guarda continua a governar o nosso futuro como bem entende – sempre com a nobre intenção de defenderem o nosso interesse e o interesse das gerações futuras. Mas se os eleitores mais jovens não confiam nestes senhores quer isso dizer que também não lhes querem confiar o seu futuro.

Quem não confia nos políticos tem razões para tal e será difícil provar-lhes o contrário. Por mim falo, que também não confio nos nossos políticos. Melhor dizendo, não confio nos nossos políticos “partidários”. Não confio nesses senhores que se reúnem em castas de militantes porque são uma elite de demagogos que defendem os seus próprios interesses e se consideram mais que os outros sob o pretexto de terem sido legitimamente eleitos. Não confio porque são resultado de máquinas partidárias que educam e formatam os seus militantes e confinam as suas ações e decisões ao interesse do partido, mas intitulando-o de ideologia.

 

 

 

 

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